Enumerações evolutivas

Alguns fragmentos do saber humano

EXPANSÃO – O universo observável tem cerca de 13,8 bilhões de anos e continua em expansão desde o Big Bang, o evento que marcou o início do espaço e do tempo como conhecemos. Aproximadamente 380 mil anos após o Big Bang, a luz pôde viajar livremente pelo universo, formando a radiação cósmica de fundo que ainda hoje é detectada pelos cientistas. Devido à expansão contínua do espaço, o universo observável possui um raio estimado de cerca de 46,5 bilhões de anos-luz.

Esta imagem do Legacy Field COSMOS, capturada pela NIRCam (Câmera de Infravermelho Próximo) do Webb, destaca a galáxia MoM-z14, com setas de orientação e uma chave de cores para referência. A MoM-z14 é atualmente a galáxia mais distante já detectada pelo Webb.


GALÁXIAS – O cosmos abriga um número impressionante de estruturas: estima-se que existam trilhões de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas e sistemas planetários. A maior estrutura conhecida até hoje é a Grande Muralha Hércules–Corona Borealis, um gigantesco agrupamento de galáxias que se estende por bilhões de anos-luz, desafiando modelos antigos sobre a organização do universo.

Um recorte de uma imagem obtida durante a calibração dos instrumentos, que ajudou a testar a capacidade do Webb de revelar “fósseis” galácticos. As galáxias antigas estão tão distantes que, à medida que o espaço se expande, sua luz se estica para comprimentos de onda infravermelhos — especialidade do Webb. A grande galáxia espiral chama-se LEDA 2046648, está a pouco mais de um bilhão de anos-luz da Terra e localiza-se na constelação de Hércules.
ESA/Webb, NASA and CSA, A. Martel.


ANO – LUZ – A velocidade da luz, aproximadamente 299.792.458 metros por segundo, é uma das constantes fundamentais da natureza. Em um ano, a luz percorre cerca de 9,46 trilhões de quilômetros, distância chamada de ano-luz, usada para medir escalas astronômicas. Ao observar estrelas e galáxias distantes, vemos sempre o passado do universo.

Ilustração da distância da Terra ao Sol, com as órbitas destacadas. A órbita da Terra está em verde, e a órbita da Lua está em vermelho. A Lua está aproximadamente um pixel maior do que deveria ser.

PLANETAS – O sistema solar é composto por oito planetas — Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — além de luas, asteroides, cometas e planetas anões. Fora dele, já foram identificados milhares de exoplanetas, alguns localizados em regiões onde pode existir água líquida, levantando questões sobre a possibilidade de vida fora da Terra.


VIDA – O planeta Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos e é o único local conhecido até hoje onde a vida se desenvolveu em grande diversidade. Cerca de 71% de sua superfície é coberta por água, mas apenas uma pequena fração é doce e acessível para consumo humano, o que torna esse recurso cada vez mais valioso.


GIGANTES – Na Terra, a história humana também se expressa em grandes realizações. A Grande Muralha da China, com mais de 21 mil quilômetros de extensão, foi construída ao longo de séculos como sistema de defesa, tornando-se uma das maiores obras já realizadas pela humanidade. O Monte Everest, na cordilheira do Himalaia, é a montanha mais alta do planeta, com 8.848 metros acima do nível do mar, resultado de processos geológicos que ainda continuam em ação.

Grande Muralha da China
Monte Everest, na cordilheira do Himalaia.

ECOSSISTEMAS – A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo e abriga uma biodiversidade extraordinária, com milhões de espécies de plantas, animais e microrganismos. A Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália, é o maior sistema de recifes do planeta e pode ser vista do espaço, embora esteja ameaçada pelas mudanças climáticas.

Floresta Amazônia
Grande barreira de corais , costa da Austrália.

ANTÁRTIDA – A Antártida é o continente mais frio, seco e ventoso da Terra, com temperaturas que podem ultrapassar −80 °C. Apesar das condições extremas, abriga importantes estações científicas dedicadas ao estudo do clima, do espaço e da origem da vida, mostrando como o conhecimento humano avança mesmo nos ambientes mais hostis.


OCEANOS – Mesmo com todo o avanço científico e tecnológico, ainda conhecemos apenas uma pequena parte do mundo. Estima-se que mais de 80% dos oceanos permaneçam inexplorados, e grande parte do universo continua desconhecida. A ciência segue avançando, revelando que quanto mais aprendemos, mais percebemos a vastidão do que ainda há para descobrir.


CONSCIÊNCIA – O ser humano é composto por trilhões de células, cada uma com funções específicas. O cérebro, apesar de representar cerca de 2% do peso corporal, consome aproximadamente 20% da energia do corpo e é responsável por habilidades complexas como linguagem, pensamento abstrato, memória e criatividade. Células nervosas se comunicam por impulsos elétricos e químicos, formando redes extremamente sofisticadas.


LINGUAGEM – Atualmente, a população mundial ultrapassa 8 bilhões de pessoas, que falam mais de 7.000 idiomas diferentes. No entanto, muitos desses idiomas estão ameaçados de extinção, assim como saberes culturais e modos de vida tradicionais. Ao mesmo tempo, a tecnologia conectou o planeta como nunca antes: existem hoje mais dispositivos conectados à internet do que pessoas, transformando profundamente a forma como aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos.


Referências:

HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução de Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2015. 464 p. 

TYSON, Neil de Grasse; GOLDSMITH, Donald. Origens: catorze bilhões de anos de evolução cósmica. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Planeta, 2015. 464 p. 

GLEISER, M. A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido. Rio de Janeiro: Record, 2019.