A trajetória de Dafne Almazán evidencia tanto o potencial quanto os riscos envolvidos na vivência da superdotação quando ela não é corretamente compreendida. Leitora precoce, Dafne concluiu o ensino médio aos 10 anos, formou-se em Psicologia aos 13 e, aos 17, foi aceita para cursar mestrado em Matemática na Universidade de Harvard. Sua escolha acadêmica está diretamente ligada a uma preocupação social: atuar em áreas nas quais possa gerar impacto real no México, especialmente na educação e na identificação adequada de crianças superdotadas.
Ao longo de sua formação, Dafne observou que muitos jovens com superdotação são confundidos com crianças hiperativas ou diagnosticados erroneamente com déficit de atenção, o que frequentemente resulta em medicalização inadequada, prejuízos emocionais e até quadros graves de depressão. A superdotação não é uma doença, mas uma condição que exige reconhecimento, acompanhamento especializado e ambientes educacionais compatíveis com o ritmo e os interesses do estudante.
A experiência no Centro de Atenção a Talentos (Cedat), dirigido por seu pai, reforçou a importância de espaços onde crianças superdotadas possam aprender, conviver e se desenvolver sem perder a infância. Dafne defende que a identificação precoce, o apoio familiar e a educação diferenciada são fatores decisivos para a estabilidade emocional e o pleno desenvolvimento dessas crianças. Seu projeto de futuro reflete esse compromisso: retornar ao México e aplicar o conhecimento adquirido, evitando a chamada “fuga de cérebros”.
Fonte: BBC News Brasil, 8 fev. 2019.
