Por que as palavras importam mais do que parecem?

As palavras estão no centro de tudo o que se aprende, ensina e comunica. Elas não apenas nomeiam o mundo, mas organizam o pensamento, orientam a compreensão de conceitos e influenciam diretamente a forma como a realidade é interpretada. Quando o vocabulário é limitado ou usado de modo automático, o pensamento tende a ser superficial; quando é ampliado e compreendido em profundidade, favorece a clareza, o senso crítico e a autonomia intelectual.

O estudo consciente das palavras — seus significados, origens e usos — fortalece a aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. Dicionários, glossários e léxicos deixam de ser apenas instrumentos de consulta e passam a atuar como ferramentas de formação cognitiva, refinando a linguagem e o raciocínio.

Do ponto de vista da neurociência, aprender palavras novas e estabelecer relações entre conceitos estimula a neuroplasticidade, isto é, a capacidade do cérebro de formar e reorganizar conexões sinápticas. Estudos indicam que atividades cognitivamente desafiadoras, como aprender vocabulário novo e lidar com estruturas linguísticas complexas, ativam múltiplas áreas cerebrais e contribuem para o fortalecimento das redes neurais, de modo semelhante ao aprendizado de uma nova habilidade.

Nesse contexto, a leitura de dicionários — não apenas como consulta pontual, mas como leitura contínua — funciona como um exercício cognitivo potente. Ler definições, etimologias e relações semânticas alimenta o pensamento, estimula novas associações mentais e favorece a criação de novas sinapses, promovendo desenvolvimento cognitivo ao longo da vida.

Mais do que comunicar, as palavras estruturam como pensamos, aprendemos e tomamos decisões.

Questionamento:
Você já leu um dicionário do início ao fim — como exercício de pensamento — ou apenas consulta palavras quando precisa?

Referências:

WOLF, Maryanne. O cérebro leitor. Tradução de Alcebiades Diniz Miguel. São Paulo: Contexto, 2024.
SCHLOSSER, Ulisses. Dicionário Neológico de Parafenomenologia. Foz do Iguaçu: Editares, 2021
VIEIRA, Waldo. Léxico de Ortopensatas. Volume II. Foz do Iguaçu: Editares, 2014. pág. 971