“Conhece-te a ti mesmo.”
Embora seja tradicionalmente associada a Sócrates, essa frase não foi criada por ele. Trata-se de uma máxima antiga, inscrita no Templo de Apolo em Delfos, no Oráculo de Delfos, que Sócrates retomou e consagrou como eixo de sua filosofia.
Nesse sentido, ela sintetiza o núcleo do pensamento socrático: o autoconhecimento como fundamento da sabedoria, da ética e de uma vida consciente. Não se trata de uma busca abstrata ou intimista, mas de um chamado direto à responsabilidade sobre o próprio pensar, julgar e agir no mundo.
É a partir dessa ideia que compartilho este documentário histórico apresentado por Bettany Hughes, produzido pela BBC (2015), com narração em inglês. Na série, a historiadora percorre Índia, Grécia e China em busca de três grandes pilares da filosofia antiga: Buda, Sócrates e Confúcio, investigando como suas ideias continuam a moldar a forma como pensamos, vivemos e nos organizamos em sociedade.
No episódio dedicado a Sócrates, Bettany Hughes reconstrói o contexto intelectual, social e político da Atenas Antiga, marcada pelo surgimento da democracia, pelos debates públicos e pelo exercício constante da palavra. É nesse cenário que emerge a figura de Sócrates como alguém que não ensinava respostas prontas, mas provocava perguntas, um exercício profundamente desconfortável para uma sociedade acostumada a certezas e verdades não examinadas.
Segundo Platão, foi também no Oráculo de Delfos que uma resposta decisiva mudou o rumo de sua vida. Ao ser perguntado se existia alguém mais sábio do que Sócrates, o Oráculo respondeu que não. Intrigado, Sócrates passou a investigar o significado dessa afirmação, dialogando com políticos, poetas e artesãos, até compreender que sua “sabedoria” consistia em algo simples e radical: saber que não sabia. Reconhecer os próprios limites tornou-se, então, sua maior virtude.
Sócrates (c. 469–399 a.C.) foi um filósofo ateniense considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. Não deixou obras escritas; seu pensamento é conhecido principalmente pelos diálogos de Platão e pelos relatos de Xenofonte. Defendia o diálogo, o autoconhecimento e o questionamento crítico como caminhos para a verdade, utilizando o método da maiêutica, que consistia em fazer perguntas capazes de conduzir o outro à reflexão e ao exame de si.
Ao questionar crenças, costumes e autoridades de sua época, entrou em conflito com o poder instituído, sendo acusado de corromper a juventude. Condenado à morte, aceitou a sentença sem renunciar a seus princípios, tornando-se um símbolo duradouro de coerência ética, liberdade de pensamento e compromisso com a verdade.
Este não é apenas um convite ao conhecimento histórico, mas à reflexão: quem somos, como pensamos e até que ponto exercemos, de fato, o pensamento consciente em nossa própria vida?
Assista ao documentário completo abaixo:

