A Habilidade Parapsíquica de Elizabeth D’Esperance


“O mundo invisível não é mistério, mas extensão do real.”

🌿Elizabeth D’Esperance

(13/05/1855 – 20/07/1919)


A trajetória de Elizabeth D’Esperance ocupa um lugar singular no contexto do parapsiquismo do século XIX. Nascida na Inglaterra, em 1855, apresentou desde a infância percepções incomuns e experiências que extrapolavam os cinco sentidos. Com o tempo, essas vivências se intensificaram e passaram a atrair a atenção de pesquisadores e estudiosos em diferentes países da Europa.

Ainda jovem, Elizabeth manifestou fenômenos como materializações, manifestações luminosas e a produção do chamado ectoplasma, ocorrências que despertaram, simultaneamente, fascínio e desconfiança. Diferentemente de muitos indivíduos com experiências semelhantes, não se limitou à vivência dos fenômenos: buscou compreendê-los, registrá-los e refletir criticamente sobre suas implicações, assumindo a responsabilidade ética de torná-los públicos em um contexto marcado por limitações conceituais e científicas, além de fortes condicionamentos sociais relacionados à condição feminina no século XIX.

Seus escritos revelam atenção aos impactos físicos e emocionais dessas experiências, incluindo cansaço, fragilidade e conflitos internos. Esse registro afasta idealizações e confere à sua trajetória um caráter marcadamente humano, no qual a observação dos fenômenos é acompanhada por discernimento, autocrítica e maturidade reflexiva.

Entre os episódios mais conhecidos associados a Elizabeth está a materialização do chamado “Lírio Dourado”, ocorrida em 1890, caso amplamente documentado, inclusive por registros fotográficos, que se tornaram referência nos estudos da época.

Outro aspecto distintivo de sua trajetória é o fato de ter sido uma das primeiras parapsíquicas a escrever a própria autobiografia. Em um contexto em que relatos desse tipo eram, em geral, mediados por terceiros, Elizabeth publicou ainda em vida o livro Shadow Land (No País das Sombras), em 1897. No prefácio da obra, afirma que seu objetivo não era convencer, mas assumir a responsabilidade por suas experiências. Atenta ao sofrimento humano, acreditava que o compartilhamento dessas vivências poderia favorecer a reflexão sobre a vida, sobretudo em um contexto marcado pelo materialismo e por crises existenciais profundas, frequentemente associadas ao desalento e à perda de sentido.

Essa postura é reconhecida por Alexander Aksakof, pesquisador russo que acompanhou sua trajetória por décadas e prefaciou sua obra. Para Aksakof, Elizabeth não falhou por falta de caráter, ingenuidade ou insinceridade; ao contrário, enfrentou as consequências de ser precursora em um período no qual a ciência ainda carecia de instrumentos teóricos e metodológicos para compreender adequadamente os fenômenos ligados à consciência.

Mais do que pelos fenômenos em si, o legado de Elizabeth D’Esperance reside na forma como transformou a experiência em registro e reflexão. Seus escritos atravessaram o tempo como documentos de uma época e como testemunhos de uma sensibilidade que articulou vivência, responsabilidade e questionamento, situando o parapsiquismo no interior da própria experiência humana.

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Registro fotográfico do lírio dourado que foi materializado por ectoplasmia, produzida pela médium Elizabeth D’Esperance durante uma sessão mediúnica de efeito físico, em 28/06/1890. A flor permaneceu visível por cerca de uma semana, até se desmaterializar completamente. A fotografia mostra o lírio ao lado da médium, permitindo observar suas dimensões reais.
Alexander Aksakof (1832–1903) foi pesquisador russo, escritor e jornalista, um dos pioneiros no estudo científico dos fenômenos parapsíquicos no século XIX. Amigo de Elizabeth D’Esperance, acompanhou e investigou diretamente algumas de suas manifestações.
Shadow Land (No País das Sombras) (1897) — autobiografia de Elizabeth D’Esperance, na qual a autora relata e analisa suas experiências parapsíquicas.

Referências:

AKSAKOF, Alexander. Um caso de desmaterialização. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, [s.d.].

D’ESPERANCE, Elizabeth. No país das sombras. Tradução de Edgard Armond. São Paulo: Lar Bom Repouso, [s.d.]. (Título original: Shadow Land: Or, Light from the Other Side, 1897).

FERNANDES, Beatriz. Elizabeth D’Espérance: análise de uma ectoplasta inata. Conscientia, [S. l.], v. 27, n. 2, p. 106–113, abr./jun. 2023. Disponível em: https://periodicos.conscienciologia.org.br. Acesso em: 28 mar. 2025.