Parapsiquismo: percepções além do comum

O que é Parapsiquismo?

Desde os primórdios da história humana, há registros de pessoas que relatavam perceber, sentir ou vivenciar a realidade de forma diferente da maioria. Em diferentes culturas e épocas, essas experiências despertaram fascínio, controvérsia, preconceito e, em alguns momentos, investigação. Ao longo do tempo, receberam diversos nomes — visão espiritual, mediunidade, fenômenos psíquicos — até que, no século XX, passou a se consolidar o termo parapsiquismo.

De forma simples, contamos com cinco sentidos — visão, audição, olfato, paladar e tato — capacidades sensoriais fundamentais para a interação com o ambiente. Por meio deles, captamos informações que o cérebro interpreta como formas, cores, sons, odores, sabores e texturas. Esses sentidos estruturam grande parte da experiência cotidiana e da compreensão do mundo físico.

O parapsiquismo refere-se justamente à possibilidade de percepção de informações que ultrapassam os cinco sentidos físicos. Segundo o Dicionário Sacconi, o termo abrange percepções extrassensoriais, faculdade ou sensibilidade mediúnica, sensitividade parapsíquica e paranormalidade. Trata-se, portanto, de um campo plural, situado entre a experiência humana, a cultura e as tentativas de compreensão científica.

Outro aspecto fundamental ao abordar o parapsiquismo é reconhecer que essas manifestações não dependem de raça, etnia, identidade de gênero, cor da pele, origem social ou crença religiosa. Ao longo da história, habilidades parapsíquicas surgiram em diferentes povos, culturas e contextos humanos, embora nem sempre tenham recebido o mesmo grau de registro, legitimidade ou investigação. Em muitos contextos afrodescendentes e indígenas, percepções ampliadas, capacidades de cura, estados diferenciados de consciência e formas próprias de sensibilidade sempre fizeram parte da vida comunitária, integradas ao cuidado, à educação e à transmissão de saberes. A menor visibilidade dessas trajetórias não indica ausência de parapsiquismo, mas revela desigualdades históricas nos processos de reconhecimento, documentação e valorização do conhecimento humano. Considerar essa diversidade amplia o entendimento do parapsiquismo como uma expressão multifacetada da experiência humana, presente em diferentes tempos, culturas e pessoas, e não como um fenômeno restrito a determinados grupos ou tradições.

Ao longo dos séculos XIX e XX, especialmente na Europa, médicos, intelectuais e pesquisadores passaram a observar esses fenômenos de forma mais criteriosa. Casos de materializações, psicografia, clarividência e efeitos físicos foram documentados, investigados e debatidos. Posteriormente, no Brasil, essas manifestações ganharam forte expressão cultural e espiritualista, com repercussões nos campos social e educacional.

Pesquisadores contemporâneos, como o conscienciólogo João Ricardo Schneider, definem o parapsiquismo como o conjunto de experiências, vivências, percepções e manifestações da consciência em contato com uma realidade multidimensional, por meio de entradas sensoriais distintas dos sentidos físicos. Essa definição amplia o debate e desloca o tema do campo do extraordinário para o da experiência humana ainda pouco compreendida.

Na mesma direção, o médico cardiologista Dr. Paulo César Fructuoso, com atuação também na área oncológica e mais de quatro décadas de experiência no estudo da ectoplasmia, destaca que essas manifestações não devem ser entendidas como milagres ou fenômenos sobrenaturais, mas como processos naturais da consciência, ainda insuficientemente estudados pela ciência. Em entrevistas recentes, o médico aponta que, à medida que cresce o número de indivíduos com manifestações parapsíquicas ostensivas, a ciência será inevitavelmente convocada a desenvolver novos instrumentos e métodos capazes de ampliar os paradigmas atualmente vigentes.

Essa reflexão dialoga diretamente com o curso Vivências Parapsíquicas, do qual participo desde 2025, ministrado pelo professor Ulisses Schlosser. O curso ocorre presencialmente no bairro Cognópolis, em Foz do Iguaçu, e também na modalidade online, por meio da plataforma Zoom, possibilitando a participação de pessoas que não têm como estar presencialmente.

A formação integra práticas parapsíquicas sistematizadas ao estudo do Dicionário Neológico da Parafenomenologia, ampliando o vocabulário técnico e os referenciais cognitivos e favorecendo novas formas de compreender, nomear e investigar as experiências da consciência, com impacto direto na reorganização cognitiva e no desenvolvimento de maior lucidez na autopesquisa parapsíquica.

O link para quem tiver interesse em conhecer ou participar do curso ficará disponível nas referências.


Principais habilidades parapsíquicas

Ao longo da história, diferentes parapsíquicos relataram tipos semelhantes de percepções ampliadas. Entre as mais citadas estão:

  • Clarividência: capacidade de ver imagens, ambientes ou consciências que não estão visíveis aos olhos físicos.
  • Clariaudiência: percepção de sons ou vozes sem origem física aparente.
  • Telepatia: troca de pensamentos, ideias ou emoções sem o uso da fala.
  • Projeção consciente (experiência fora do corpo): vivência em que a consciência se afasta temporariamente do corpo físico, mantendo lucidez.
  • Psicometria: sensibilidade para captar informações ao tocar objetos ou ao entrar em contato com pessoas e ambientes.
  • Precognição (ou premonição): percepção antecipada de acontecimentos futuros, por meio de pressentimentos, sonhos ou intuições.
  • Retrocognição: acesso a informações relacionadas a eventos do passado não aprendidos por meios convencionais.
  • Exteriorização de energias: capacidade de doar ou direcionar energias para fins de assistência, equilíbrio ou cuidado.
  • Ectoplasmia: fenômeno de exteriorização de uma substância semimaterial, geralmente descrita como vaporosa ou viscosa, produzida pelo parapsíquico (ectoplasta), utilizada em processos de cura ou materializações.
  • Pneumatografia (escrita direta): produção de mensagens escritas sem o uso da mão ou do lápis do médium.
  • Pangrafia: registro simultâneo e abrangente de informações provenientes de múltiplas fontes ou dimensões.

Essas habilidades não se manifestam da mesma forma em todas as pessoas nem seguem um padrão único. Ao observar a biografia de indivíduos com habilidades parapsíquicas, chama atenção um aspecto recorrente: em muitos casos, essas manifestações surgem precocemente, ainda na infância, configurando o que pode ser compreendido como parapsiquismo inato.

Frequentemente, essas vivências estão associadas a alta sensibilidade, percepção ampliada da realidade e modos diferenciados de processamento da informação, características que dialogam com descrições contemporâneas da superdotação. Nesse sentido, a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, embora não trate diretamente do parapsiquismo, amplia a noção tradicional de inteligência e abre espaço para refletir sobre manifestações cognitivas e perceptivas ainda pouco compreendidas, configurando um campo que permanece aberto à investigação científica e educacional.

A seguir, são apresentadas algumas personalidades parapsíquicas relevantes da Europa e do Brasil, com dados biográficos essenciais, principais habilidades, fatos históricos relevantes e produções registradas — como um convite à informação, à reflexão e à ampliação do olhar sobre a experiência das habilidades humanas.

Fichas Parapsíquicas Evolutivas


Referências:

AKSAKOF, Alexander. Um caso de desmaterialização. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, [s.d.].

CARRINGTON, Hereward. The physical phenomena of spiritualism. New York: Herbert B. Turner & Co., 1907.

CONAN DOYLE, Arthur; SILVEIRA, José Carlos da Silva. A história do espiritualismo: de Swedenborg ao início do século XX. São Paulo, 2013.

FRUCTUOSO, Paulo Cesar. Justiça e Ectoplasma. – Rio de Janeiro, RJ: Editora Frei Luiz, 2024

MIRANDA, Hermínio C. Diversidade dos Carismas: Teoria e Prática da Mediunidade. Bragança Paulista, SP, Instituto Lachatrê, 2018

OWEN, Alex. The darkened room: Women, power and spiritualism in late Victorian England. Londres: Virago, 1989.

SCHNEIDER, João Ricardo. História do Parapsiquismo: Das Sociedades Tribais à Conscienciologia. Foz do Iguaçu: Editares, 2019.

SCHLOSSER, Ulisses. Dicionário Neológico de Parafenomenologia. Foz do Iguaçu: Editares, 2021


Curso Vivências Parapsíquicas: Estudo e Prática do Dicionário Neológico da Parafenomenologia