Pedagogia e o modus faciendi


“A sua Pedagogia é o modus faciendi mais eficaz de transmitir neo-cognições.” (Léxico de Ortopensatas, pág. 1.271)


A afirmação convida a uma reflexão que ultrapassa o campo das técnicas pedagógicas. Mais do que um conjunto de métodos para transmitir conteúdos, a pedagogia parece revelar seu verdadeiro impacto no modus faciendi, no modo como o educador conduz o processo de aprendizagem.

Talvez não seja apenas o que se ensina que determina a permanência do conhecimento, mas como ele é mediado. É nesse “como” que a informação pode permanecer superficial ou transformar-se em algo mais profundo: uma nova forma de compreender, pensar e perceber a si mesmo e o mundo.

Quando o educador escuta, provoca, acolhe e organiza o percurso formativo, estaria apenas ensinando conteúdos ou favorecendo a emergência de novas cognições? A noção de neo-cognição aponta justamente para esse deslocamento: não a repetição do já sabido, mas a reorganização dos esquemas mentais e da própria consciência do aprendiz.

Sob essa perspectiva, uma pedagogia eficaz precisaria oferecer respostas prontas? Ou seria mais propício quando estimula reflexão, autonomia e sentido, levando o sujeito a observar o próprio modo de aprender? Se aprender implica reconhecer limites, padrões e potencialidades, o ato pedagógico pode funcionar como um espelho cognitivo, um convite à autopedagogia, ao aprender a aprender com mais lucidez e intenção.

Refletir sobre o modus faciendi do educador, portanto, não parece ser apenas uma questão metodológica, mas também ética e formativa. Até que ponto a pedagogia praticada favorece a ampliação da consciência e não apenas a transmissão de conteúdos?

Que tipo de cognição o meu modo de fazer desperta: repetição de informações ou criação de novos modos de pensar?

Tenho consciência de como aprendo ou apenas reproduzo caminhos que nunca questionei?