“Leitura bem feita é formativa, no sentido de que reestrutura ideias e expectativas, reformula horizontes. Nem toda leitura precisa ser assim tão séria, mas toda leitura bem feita ocorre sob o signo do questionamento, porque, quem não sabe pensar, acredita no que pensa. Mas, quem sabe pensar, questiona o que pensa.” Pedro Demo
Vivemos em uma era em que a informação é abundante, mas a leitura profunda tornou-se rara. Nunca se leu tanto conteúdo — e nunca se leu tão pouco em profundidade. A leitura que forma o pensamento não é aquela consumida em fragmentos rápidos, mas a que exige tempo, atenção e disposição para questionar ideias, inclusive as próprias. Quando o hábito de ler é substituído pela rolagem infinita das redes sociais, o pensamento tende a se tornar reativo, superficial e previsível.
Ler de forma consistente não é um ato passivo nem um entretenimento secundário: é um exercício intelectual que reorganiza visões de mundo, amplia repertórios e fortalece a autonomia do pensamento. Sem leitura crítica, o indivíduo corre o risco de confundir opinião com conhecimento e familiaridade com compreensão. O abandono dos livros não empobrece apenas o vocabulário — empobrece a capacidade de refletir, de argumentar e de sustentar ideias com profundidade.
Em meio à velocidade dos estímulos digitais, o livro — seja físico ou digital — permanece como um dos poucos espaços que ainda exigem permanência, silêncio e elaboração. Ele não compete por atenção: ele a demanda. E é justamente por isso que se torna cada vez mais necessário.
Reflexões:
Qual foi o último livro que realmente leu, do início ao fim?O que mudou no seu modo de pensar depois dessa leitura — algo mudou?
Quanto do seu tempo diário é dedicado à leitura de livros?
Referência:
DEMO, Pedro. Leitores para sempre. Porto Alegre: Editora Mediação, 2009.
